1 de mar de 2017

Dar nome aos bois é terapêutico



Quanto mais leio a respeito do machismo estrutural, menor vai ficando a distância entre aquilo que eu experienciei durante toda a vida, sendo mulher, daquilo que efetivamente outras mulheres experienciaram.

Isso é interessante porque valida o sentimento da gente, tira o véu fantasmagórico que encobre certos mal-estares que a gente não tinha como processar dentro de si e também não tinha nome pra dar, e que por isso talvez passassem batidos sem a oportunidade de questionamento.

Não que o nome seja importante em si, como fim, mas é importante como parte do processo de reconhecimento de existência de comportamentos arraigados.

Além da sensação de 'desvendamento' daquilo que incomoda e sempre incomodou, é também a oportunidade de observação mais atenta do entorno, dos homens e mulheres com quem convivo.
Minha percepção nitidamente apurou, como se ao ouvir alguém ou ler um texto, eu esteja conseguindo enxergar partes do chassis por baixo da lataria reluzente.

Isso pode ser decepcionante, mas também é libertador.

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