27 de jun de 2014

minha maleta





E eu queria poder dizer a ela que finalmente encontrei (encontramos) aquela maleta mexicana... e com ela todas as imagens que me faltaram e que eu tentava construir, sem referências reais e custosamente, em minha imaginação de criança.
Tuas histórias ganharam agora nova dimensão, mãe: a dimensão de um povo inteiro, a dimensão da carne, do medo e da coragem, a dimensão do cotidiano que não se cansa de viver.
Encontrei minha maleta mexicana com as fotos de tua guerra... e olha: virei fotógrafa como esses três malucos que registraram tudo para mim.
Agora eu sei, eu vejo, algo do que você viu... e te reencontro, com uma saudade espremida entre a minha compreensão maior e o meu eterno desejo pelo teu colo à prova de bombas.
Tenho a maleta.

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